Grande Mulher Esquálida se curva sobre ruínas sob uma luz intensa

Bestiário de Agouros

Nem toda presença deseja ser encontrada.

Entre paisagens abertas e lugares esquecidos, alguns sinais não pertencem a homens nem a animais conhecidos. Conheça cinco presenças do Livro I.

O arquivo das criaturas

Observe os sinais antes de procurar respostas.

Algumas surgem como aparição. Outras deixam pegadas, sangue e destruição. Cada registro apresenta uma presença e o rastro que ela deixa nas páginas.

Figura feminina de vestes claras e rosto coberto por um véu surge como uma aparição em uma casa antigaRegistro 01

Espíritos

Algumas pessoas são mais sensíveis ao lado oculto e sobrenatural do mundo, conseguindo enxergar ou se comunicar com coisas que já não deveriam mais estar por aqui. Elas afirmam que os espíritos são reais e podem permanecer neste mundo por algum tempo após desencarnarem, especialmente quando algo inacabado ainda as conecta ao plano material.

Trecho do livroUm ar frio tomou conta do quarto, tão frio que fez uma nuvem branca sair de sua respiração. E no canto mais escuro foi se erguendo uma sombra lentamente, inicialmente disforme e sinistra, mas logo se tornou mais simétrica e humana. A figura então saiu das sombras e cruzou o quarto. Suas vestimentas eram claras e seu rosto estava coberto por um véu delicado. Em seus braços ela carregava algo enrolado em tecido, o segurando como um bebê…
Terra de Ninguém — Livro 1: Criaturas MortaisCapítulo 06 — A morte caminha no nevoeiro · p. 53
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Velho alto e magro de terno claro sorri em uma igreja tomada pelo fogo, diante de uma sombra demoníacaRegistro 02

Velho Pútrido

Quando as esperanças se acabam e o mundo parece lhe dar as costas, uma figura surge, estendendo sua mão nefasta. O Velho Pútrido caminha por esta terra desde os primórdios do tempo, usando sua astúcia para oferecer uma falsa esperança às pobres almas desafortunadas. Mas qual é o preço?

Trecho do livroO velho então começou a caminhar em meio às chamas. Por onde passava, elas se afastavam ou se extinguiam, como se o obedecessem. Ele foi de um a um nos corpos estendidos no chão, com os olhos brilhantes feito um lobo faminto, deleitando-se de prazer com cada detalhe ali presente.
Terra de Ninguém — Livro 1: Criaturas MortaisAto II, Capítulo 05 — Aquele que descansa no fogo · p. 116
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Velha encapuzada de cabelos grisalhos em primeiro plano, com um cavalo e uma carruagem ao fundoRegistro 03

A Velha

Relatos sobre uma guilda de bruxas antigas e desgrenhadas circulam por essas terras. Alguns dizem que elas arquitetam planos perversos em nome de uma entidade maligna; outros afirmam que podem alterar suas formas, tornando-se tão altas e compridas quanto uma árvore, o que lhes daria grande força. Ainda segundo esses relatos, quem cruza seus caminhos jamais é visto novamente.

Trecho do livro— O que foi? — perguntou Lorena, olhando a completa escuridão no interior da casa. — Espere — sussurrou a amiga. Quando um relâmpago clareou o céu, foi possível ver a velha em pé ao lado da cama. Imóvel. A boca aberta e a cabeça reclinada para o lado. Seus olhos grandes e esbranquiçados estavam arregalados, porém sua respiração era lenta e profunda, como se dormisse ou estivesse em alguma espécie de transe.
Terra de Ninguém — Livro 1: Criaturas MortaisAto III, Capítulo 04 — Fuga agridoce · p. 114
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Criatura escura coberta por espinhos se ergue sobre ovelhas em um celeiro iluminado pela luaRegistro 04

Chupa-cabra

Os mais antigos contam histórias sobre uma fera de aparência e postura humanoides que atacava rebanhos próximos à região montanhosa entre Otília e Forte Bello. Seu alvo eram os rebanhos em geral, mas ela demonstrava certa preferência por cabras e ovelhas, atacando-lhes o pescoço e drenando o sangue de suas vítimas — o que lhe rendeu o nome de chupa-cabras.

Trecho do livroA criatura se colocou sobre as duas patas traseiras e se levantou, tornando-se maior do que o homem, e todos os espinhos de suas costas se ouriçaram. Um poderoso rugido foi dado e suas presas ficaram expostas. A única coisa que Beto pôde fazer foi erguer as mãos em frente ao rosto, aguardando o ataque da fera.
Terra de Ninguém — Criaturas MortaisAto IV, Capítulo 02 · p. 174
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Silhueta feminina gigantesca e extremamente magra se curva sobre ruínas sob uma luz intensaRegistro 05

A Grande Mulher Esquálida

Há quem associe essa aparição à própria morte, pois ela costuma ser avistada em lugares onde um desastre ou uma tragédia de grandes proporções estaria prestes a ocorrer. Sua aparência remete a uma mulher de aspecto cadavérico e animalesco, com cerca de três metros de altura quando está de pé, garras negras e pontiagudas no lugar dos dedos e cabelos longos e esvoaçantes que ocultam o rosto.

Trecho do livroA criatura esquálida parou logo após atravessar a estrada, cansada por arrastar o peso da enorme barriga, e esticou o longo pescoço sobre a grama, fazendo um barulho estranho, como se engasgasse com algo. Seu pescoço começou a ondular com movimentos que lembrávamos de uma cobra engolindo algo, e de sua boca escorreu um líquido escuro, tão negro quanto piche. De repente, uma grande ondulação, que começou em seu estômago e terminou em sua garganta, fez com que ela expelisse uma perna humana inteira. A cada passo que dava, um novo membro era expelido, até que sua barriga ficou quase vazia, devolvendo sua agilidade.
Terra de Ninguém — Criaturas MortaisCapítulo 06 — A morte caminha pelo nevoeiro · p. 49
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Continue a investigação

O arquivo reúne pistas. O livro conecta os sinais.

Entre em São Domingues antes que as explicações pareçam mais perigosas que as perguntas.

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